terça-feira, 24 de março de 2009

9. A educação dos filhos

Ouça a música:
http://www.youtube.com/watch?v=GGNLLJz4Ajw&feature=related

Feliz aniversário, mamãe!

“Cada vez que eu digo adeus, eu morro um pouco...”

Como na canção, uma parte de mim também morreu ao dizer adeus à minha mãe. Nunca mais... A ausência física é uma dor que não tem cura. Quase sinto seu perfume, o suave toque da sua mão, seu sorriso, sua voz...


Ela está constantemente comigo, em inúmeros detalhes do dia-a-dia, nos meus pensamentos, nas minhas palavras, no meu jeito de ser...


Ela me abraça todos os dias quando me visto com uma das inúmeras roupas que confeccionou para mim ao longo da vida, e outras que me presenteou - guardo-as todas e as uso com veneração.

Era uma mulher elegante e com apurado senso estético, que me ensinou muitas coisas... “Na dúvida, tire” (para evitar o excesso de acessórios, jóias, etc.)

Caprichava nas fotos: “para a posteridade”, “para a minha querida descendência”. Reconheço-a em mim de tantas formas, tanto dela ficou em mim.


“O que vale ser feito, vale ser bem feito.” A busca da perfeição me acompanha desde pequena.


Também aprendi com ela a amar a vida, a degustar os pequenos prazeres do dia-a-dia, a me maravilhar com a natureza contruída por Deus ou aprimorada pelo homem.





Todo o ano, no meu aniversário, eu a felicitava: “Feliz aniversário, mamãe!” Afinal, sempre pensei que as mães também, e especialmente elas, merecem os parabéns quando os filhos fazem aniversário.

“Feliz aniversário, mamãe! De sua filha querida,
Deo

domingo, 22 de março de 2009

18. Suas idéias, política, paixão e credos

Queridos,

Queria compartilhar mais uma manifestação da força do legado da Maria Zilda, que se estende além da morte e além das fronteiras. Enviei um e-mail a colegas e amigos agradecendo as manifestações de apoio quando do falecimento, que incluía o trecho abaixo:

“My mother was a strong and visionary woman who believed that education was one of the most important things in life and made every effort to have her four children going to College, despite my family’s limited resources. She expanded her vision of better education to support her grandchildren, other relatives, friends and many others whose lives she touched. Consistent with that vision, she specified in her will that her body should be donated to the science. I was blessed for having her as my mother and feel very proud of all she was and all she did during her life.”

Após isso, algumas pessoas manifestaram que ficaram sensibilizadas pelo que escrevi sobre a minha mãe. Uma delas, em especial, me comoveu profundamente. Disse que tinha um agradecimento a fazer: por causa do exemplo da mãe, ela havia decidido que também ia doar seu corpo para a ciência. Nunca tinha ouvido nada semelhante aqui nos Estados Unidos mas tinha concluído que era um gesto que fazia todo sentido. Além disso, havia falado sobre isso para a sua mãe, que estava gravemente enferma, e sua mãe estava buscando os meios legais para também doar seu corpo para a ciência. “She is teaching us”, disse. Fiquei extremamente comovida. Nossa visionária de São Sepé ensinando e inspirando pessoas no longínquo Estados Unidos a seguir seu exemplo! E ela que nem falava inglês...

Recentemente, a mãe da minha colega (Tammi) faleceu. A nota abaixo foi divulgada entre colegas e amigos:

“Ms. Porter donated her body to Indiana University School of Medicine so there will be no funeral service. In lieu of flowers, Tammi asked that a donation be made to Visiting Nurse Hospice, POB 3487, Evansville IN, 47734.”

A força de um exemplo genuíno não encontra barreiras! Fico comovida e orgulhosa da força do exemplo da minha mãe.

Um abraço carinhoso a todos,
Deolinda

sexta-feira, 20 de março de 2009

21. O crescimento do relacionamento dos filhos e da descendência no desafio final

Queridos,

Coloco aqui a carta que escrevi no aeroporto de Porto Alegre, prestes a voltar para São Paulo, poucos dias antes da vó Zilda falecer.

Relendo a carta agora, após algum tempo, tive a certeza de que a vó foi em paz e que continua entre nós, com muito amor. Uma evidência disso é que semana passada acordei no meio da noite (3:30h da madrugada, aproximadamente) sentindo sua presença. Foi muito estranho e inesperado e, ao mesmo tempo, muuuito bom. Ela se libertou e estará conosco sempre, em forma de luz e energia.

Beijos,
Ana Carla

Minha avó

Pra onde você vai, minha avozinha querida?


O que ainda te prende aqui nessa dimensão terrena? Todos os teus filhos estão em paz, todos os teus netos seguem seu caminho. Você deixou um belíssimo legado.


Vai em paz, minha avozinha querida, que aqui contaremos aos nossos filhos (teus bisnetos) e nossos netos (teus tataranetos) da brava lutadora que tu fostes em vida. Da pessoa sempre positiva e otimista que marcou tua pessoa. Do carinho. De como não podemos perder esse amor genuíno, incondicional, amor que não esperava nada em troca.


Da avó, colona de São Sepé do Rio Grande do Sul, que fez questão que todos os filhos estudassem. Que propagou isso aos ventos e não só também os netos o fizeram, mas todos aqueles que a rodeavam. Que tiveram a honra de escutar tuas lições de vida.


Tudo vai ficar bem, minha avozinha querida.


Você vai encontrar o meu avô? É isto que te espera? Você estará nos esperando Lá, em algum lugar, quando chegar a nossa vez?


Como será quando chegar a nossa vez?


Você voltará no corpo de uma menina, assim como você sempre contava que o meu avô voltou nos olhos e no sorriso maroto daquele menininho do ônibus em Porto Alegre?


Vai em paz, minha avozinha amada, descanse. Você lutou muito nesses 86 anos. Você venceu muitas guerras. Uma guerreira. Uma mulher destemida que deixou seus genes e suas histórias na “querida descendência”. Uma mente livre e questionadora que ajudou o mundo a se libertar de muitas amarras terrenas.


Vou contar de ti para meus filhos, avozinha querida. Vou falar de quem tu eras e quais as tuas histórias.


Vou contar dos lindos vestidos de cinderela. Da “altura de miss”. Da indescritível torta de nozes. De como ficava feliz e se orgulhava ao mostrar as fotos dos filhos e netos, de sangue e de coração. “Tem que estar bonita nas fotos para a posteridade...”. Vou contar da tua garra ao aprender a usar a internet aos quase 80 anos de idade. Do mantra sempre positivo antes de dormir. “Paz, Saúde, Amor...”


Descanse em paz e junto ao Deus que tu escolhestes, minha avozinha querida.


Aqui na Terra todos os teus filhos e netos te amam muito. E isso permanece. Para sempre.


Sentiremos saudades, mas a sua batalha já foi vencida com louvor.


Junte-se a seus antecedentes. Uma hora nos encontraremos novamente. Tenho certeza.


E te guardarei junto a mim. Ao lado do meu coração.


Todos te amamos muito, minha avozinha.


Vá em paz. Se liberte.

domingo, 15 de março de 2009

15. Seus causos e histórias



Hoje, a Lucy está de aniversário!


...e este post é para contar o estranho acontecimento ocorrido dias atrás.


A Lucy estava procurando insistentemente uma receita de cassata para seu aniversário quando encontrou, num daqueles cantinhos escondidos recheados de tesouros, um bilhete antigo da Maria Zilda.

Este bilhete foi enviado na época em que a Lucy, Gindri e filhos estavam morando no Amapá, no extremo norte do Brasil.

O texto casualmente era para parabenizar a Lucy pelo aniversário, a exatos 20 anos atrás!


A cronologia dos fatos:
12/03/1989 - data do bilhetinho
11/03/2009 - data que a Lucy o encontrou
15/03/2009 - aniversário da Lucy


O conteúdo do bilhete nos emocionou profundamente pela enigmática atualidade do texto. Veja o original em frente e verso:



Parabéns pelo aniversário, maninha!